Capa do guia da B3: a bolsa de valores brasileira nascida da fusão da BM&FBovespa com a Cetip em 2017, onde se negociam ações, FIIs, ETFs, BDRs, opções e futuros, sob supervisão da CVM
**B3 (Brasil, Bolsa, Balcão):** a infraestrutura do mercado de capitais brasileiro, com negociação, contraparte central, liquidação, registro e custódia de valores mobiliários.

O que é a B3

A B3 (sigla de Brasil, Bolsa, Balcão) é a única bolsa de valores em operação no Brasil. Foi criada em 2017, quando a BM&FBovespa incorporou a Cetip, a antiga central de registro de títulos de renda fixa. É uma companhia aberta, com ações negociadas na própria bolsa sob o código B3SA3, e funciona sob autorização e supervisão da CVM e, nas atividades de registro, liquidação e sistema de pagamentos, do Banco Central.

A B3 não vende ativos ao investidor. Ela oferece a infraestrutura: o sistema de negociação onde as ordens se encontram, a câmara de compensação que garante a liquidação entre os participantes, a depositária onde os ativos ficam registrados em nome de cada investidor e os sistemas de registro do mercado de balcão. O investidor acessa essa estrutura por meio de uma corretora ou distribuidora autorizada.

Nenhuma outra bolsa de ações começou a operar no país até hoje, embora a regulação da CVM permita a entrada de concorrentes. No registro de recebíveis e de alguns títulos, já existem outras infraestruturas autorizadas.

B3 em números: criada em 2017 pela fusão da BM&FBovespa com a Cetip; receita total de 3,2 bilhões de reais e lucro líquido de 1,48 bilhão no 1º trimestre de 2026; 5,6 milhões de investidores pessoa física
B3 em números. Fonte: B3, resultados do 1T26 e dados de investidores.

Da Bolsa Livre à B3

Ano Marco
1890 Fundação da Bolsa Livre, em São Paulo, origem da futura Bovespa
1968 Criação do índice Ibovespa, com base 100
1985–1986 Criação da BM&F, bolsa de mercadorias e futuros, e início das operações da Cetip, para títulos privados de renda fixa
2007 Desmutualização: Bovespa e BM&F deixam de ser associações de corretoras e abrem capital
2008 Fusão da Bovespa com a BM&F, que forma a BM&FBovespa
2017 Incorporação da Cetip e criação da B3

Para mais sobre a história e o funcionamento do pregão, veja o estudo Bolsas de valores e o artigo sobre a Cetip.

O que se negocia e se registra na B3

A B3 tem dois grandes ambientes. Na bolsa (segmento listado), as ordens de compra e venda se encontram num livro de ofertas público. No balcão, as operações são negociadas diretamente entre as partes, e a B3 faz o registro e a custódia.

Produto Ambiente O que é Principais riscos
Ações Bolsa Fração do capital de uma companhia aberta Preço, resultado da empresa, liquidez
FII Bolsa Cota de fundo que investe em imóveis ou em títulos imobiliários Vacância, inadimplência, juros, liquidez
ETF Bolsa Fundo que replica um índice, como Ibovespa ou S&P 500 Os do índice replicado e, se for o caso, câmbio
BDR Bolsa Certificado que representa ações de empresa estrangeira Preço da ação no exterior e câmbio
Opções e futuros Bolsa Derivativos sobre ações, índices, juros, câmbio e commodities Alavancagem e perdas que podem superar o valor investido
CDB, LCI, LCA, LC Balcão Títulos bancários registrados e custodiados na B3 Crédito do emissor, coberto pelo FGC até o limite
Debêntures, CRI, CRA Balcão Dívida de empresas ou de securitizadoras Crédito do emissor, sem FGC
COE Balcão Certificado de Operações Estruturadas, com retorno atrelado a uma fórmula Crédito do emissor; pode ou não ter capital protegido

A B3 também é a custodiante do Tesouro Direto: os títulos públicos comprados por pessoas físicas ficam registrados em nome do investidor na depositária da bolsa.

Como uma compra na bolsa funciona

  1. Conta na corretora. O investidor abre conta numa corretora ou distribuidora autorizada pelo Banco Central e pela CVM e transfere recursos para ela (por Pix ou TED). A B3 cria automaticamente o cadastro do investidor, e as posições podem ser consultadas na Área do Investidor, no site da bolsa.
  2. Ordem. Na plataforma, o investidor escolhe o ativo, a quantidade e o tipo de ordem. A ordem segue para o livro de ofertas, que organiza compradores e vendedores por preço.
  3. Negócio. Quando uma oferta de compra encontra uma de venda no mesmo preço, o negócio é fechado.
  4. Liquidação. A câmara da B3 atua como contraparte central: garante que o vendedor receba o dinheiro e o comprador receba os ativos, mesmo que a outra ponta falhe. No mercado de ações à vista, a liquidação ocorre em D+2, dois dias úteis após o negócio.
  5. Custódia. Os ativos ficam registrados em nome do investidor na depositária central da B3. Se a corretora quebrar, as ações, cotas e títulos continuam pertencendo ao investidor e podem ser transferidos para outra instituição.

Tipos de ordem e lotes

  • Ordem limitada: o investidor fixa o preço máximo de compra (ou mínimo de venda). É a opção mais segura em ativos pouco negociados.
  • Ordem a mercado: executa pelo melhor preço disponível no livro. Em ativos com pouca liquidez, pode sair por um preço bem diferente do esperado.
  • Ordem stop: dispara uma compra ou venda quando o preço atinge um nível definido, usada para limitar perdas ou proteger ganhos.
  • Lote padrão e fracionário: ações costumam ser negociadas em lotes de 100; quantidades de 1 a 99 vão para o mercado fracionário, com código terminado em “F” (por exemplo, PETR4F).
  • Circuit breaker: se o Ibovespa cair 10% em relação ao fechamento anterior, os negócios são interrompidos por 30 minutos; com queda de 15%, por uma hora.

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Os índices da B3

  • Ibovespa: o principal índice, uma carteira teórica das ações mais negociadas, revista a cada quatro meses (janeiro, maio e setembro). Não é “a bolsa”, é a régua que mede o desempenho do mercado de ações.
  • IBrX-100 e IBrX-50: as 100 e as 50 ações mais negociadas, ponderadas pelo valor das ações em circulação.
  • IFIX: índice dos fundos imobiliários.
  • SMLL: empresas de menor capitalização.
  • IDIV: ações com maior histórico de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.
  • ISE B3: empresas com práticas de sustentabilidade avaliadas pela bolsa.

Custos e impostos

Item Como funciona
Corretagem Cobrada pela corretora por ordem; muitas zeraram a corretagem para ações à vista
Emolumentos e liquidação (B3) Percentual sobre o volume negociado, da ordem de 0,03% em operações comuns de ações por pessoas físicas
IR sobre ganho em ações (swing trade) 15% sobre o lucro; isenção quando o total de vendas de ações no mês não passa de R$ 20 mil
IR em day trade 20% sobre o lucro, sem isenção
ETFs e BDRs Ganhos tributados em 15% (ETFs de ações), sem a isenção de R$ 20 mil
FIIs Rendimentos isentos para pessoa física, se o fundo tiver ao menos 100 cotistas e o investidor tiver menos de 10% das cotas; ganho na venda das cotas tributado em 20%
Dividendos Desde 2026, retenção de 10% na fonte sobre o que passar de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física (Lei 15.270/2025)

O imposto sobre ganhos em bolsa é apurado pelo próprio investidor e pago por DARF até o último dia útil do mês seguinte. A corretora retém uma pequena antecipação na fonte (0,005% sobre vendas no swing trade e 1% do lucro no day trade), que pode ser descontada do imposto devido.

Quem protege o investidor

Onde está o dinheiro Quem supervisiona Proteção em caso de quebra
CDB, LCI, LCA, poupança Banco Central FGC, até R$ 250 mil por CPF e por instituição
Ações, FIIs, ETFs CVM e B3 Os ativos são do investidor e ficam na depositária; não há garantia de valor
Debêntures, CRI, CRA CVM Sem FGC; o risco é do emissor
PGBL e VGBL Susep Patrimônio do fundo é separado do da seguradora; não há FGC

Na bolsa, ninguém garante que o preço vá subir. A proteção é de outra natureza: a custódia em nome do investidor, a contraparte central que impede o calote entre corretoras e a supervisão da BSM Supervisão de Mercados, braço de autorregulação da B3. A BSM administra o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), que cobre até R$ 200 mil por ocorrência (limite em vigor desde janeiro de 2024) quando o investidor tem prejuízo por erro, falha operacional ou fraude de uma corretora ou de seus profissionais. O MRP não cobre perdas causadas pela oscilação dos preços. O pedido deve ser feito em até 18 meses após o fato.

Para mais sobre a garantia bancária, veja o guia do FGC; sobre o regulador, o guia da CVM.

Riscos e cuidados

  • Volatilidade: quedas de 10% a 30% em poucas semanas já aconteceram várias vezes na bolsa brasileira, como em 2008, 2020 e em outros episódios de crise. Dinheiro que pode ser necessário no curto prazo, como a reserva de emergência, não costuma ficar em renda variável.
  • Concentração: uma única ação carrega o risco específico daquela empresa; fundos de índice e carteiras com vários ativos diluem esse risco, mas não eliminam o risco de mercado.
  • Derivativos: opções e futuros envolvem alavancagem e podem gerar perdas maiores do que o valor aplicado, além de exigir depósito de margem.
  • Promessas de ganho garantido: não existe retorno garantido em renda variável. Ofertas assim, especialmente por redes sociais e aplicativos de mensagem, são sinal de fraude e podem ser denunciadas à CVM.
  • Corretora regular: antes de abrir conta, vale confirmar no site da CVM e do Banco Central se a instituição é autorizada.

Nota de atualização

Nota de atualização (out/2026): artigo revisto em outubro de 2026. Corrigimos a receita da B3 no 1T26 (cerca de R$ 3,2 bilhões, com lucro de R$ 1,48 bilhão), o histórico (a BM&F é de 1985), o limite do MRP (R$ 200 mil desde 2024) e a tributação de FIIs e ETFs, incluímos o mercado de balcão e o Tesouro Direto e retiramos afirmações sem fonte, como a de que a B3 seria o quarto maior mercado de ações do mundo.

Conclusão

A B3 é a infraestrutura por onde passa quase todo o mercado de capitais brasileiro: negociação de ações, FIIs, ETFs e derivativos, registro e custódia da renda fixa privada e do Tesouro Direto. Entender o papel de cada peça (a corretora, que dá acesso; a B3, que negocia, liquida e custodia; a CVM, que regula) ajuda a avaliar custos, riscos e proteções antes de investir. O valor dos ativos de renda variável oscila e não tem garantia, mas a titularidade deles fica registrada em nome do investidor.


Este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento.