Nas semanas depois do segundo turno das eleições de 2026, uma pergunta tomou conta das buscas sobre investimentos: é hora de travar a taxa? Não é para menos. Em 5 de novembro, o Tesouro IPCA+ 2035 pagava a inflação mais 7,94% ao ano, e o Tesouro Prefixado 2032, 15,34% ao ano. Duas semanas antes, as mesmas taxas eram de 6,76% e 12,90%.

Taxas assim garantem, para quem compra e leva o título até o vencimento, um rendimento elevado por muitos anos, mesmo que a Selic caia. Mas o outro lado da moeda apareceu na mesma quinzena: quem já tinha títulos longos viu o valor de venda cair até 19,6%, no caso do Tesouro IPCA+ 2050. É a marcação a mercado, o mecanismo que mais confunde e mais assusta quem começa a investir em títulos de longo prazo.

Este guia explica como funcionam o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado, o que significa travar a taxa, como a marcação a mercado afeta o seu investimento, quanto cada título oscila e quais critérios usar para decidir, sem receitas prontas.

Gráfico de linha com a taxa do Tesouro IPCA+ 2035 de janeiro de 2025 a novembro de 2026, entre 6,66% e 8,2% ao ano, com queda em outubro de 2026 depois do primeiro turno e alta depois do segundo turno
A taxa real do Tesouro IPCA+ 2035 oscilou cerca de 1,4 ponto em poucas semanas de outubro de 2026. Leitura semanal; a máxima diária do ano foi de 8,22%, em 30 de julho. Fonte: Tesouro Nacional.

Como funcionam o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado

O Tesouro Direto oferece três famílias de títulos públicos, cada uma com uma forma de remuneração:

Título Como rende Quando é melhor Risco no meio do caminho
Tesouro Selic Acompanha a Selic, dia a dia Reserva de emergência e curto prazo Muito baixo
Tesouro Prefixado Taxa fixa definida na compra Quando você acredita que os juros vão cair Médio a alto
Tesouro IPCA+ Inflação (IPCA) mais uma taxa real fixa Objetivos de longo prazo, proteção contra a inflação Alto nos prazos longos

Tesouro Prefixado. Você sabe, no dia da compra, exatamente quanto vai receber no vencimento: R$ 1.000 por título, no caso do prefixado sem juros semestrais. Se comprar o Prefixado 2032 a 15,34% ao ano, o seu dinheiro cresce a essa taxa até 1º de janeiro de 2032, antes do imposto e da custódia.

Tesouro IPCA+. Você recebe a variação do IPCA no período mais uma taxa real fixa. Comprado a IPCA + 7,94%, o título garante que o seu poder de compra crescerá 7,94% ao ano até o vencimento, antes do imposto de renda e da custódia, qualquer que seja a inflação. A versão com juros semestrais paga cupons a cada seis meses, úteis para quem quer renda, mas que reinvestidos podem render menos e antecipam o imposto.

Tesouro Selic. Acompanha a taxa básica e quase não oscila, por isso é o padrão para a reserva de emergência. Não serve para travar taxa.

Para o funcionamento geral do programa, veja o guia de títulos públicos e Tesouro Direto.

As taxas de novembro de 2026

Os dados oficiais do Tesouro Nacional mostram o tamanho do movimento entre a última sexta-feira antes do segundo turno e o início de novembro:

Título 23/10/2026 05/11/2026 Um ano antes (05/11/2025)
Tesouro IPCA+ 2029 IPCA + 6,74% IPCA + 7,76% IPCA + 7,98%
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 6,76% IPCA + 7,92% —
Tesouro IPCA+ 2035 IPCA + 6,76% IPCA + 7,94% IPCA + 7,49%
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 6,48% IPCA + 7,48% IPCA + 6,97%
Tesouro Prefixado 2029 12,77% 14,94% 13,15%
Tesouro Prefixado 2032 12,90% 15,34% 13,66%

Taxas de compra da manhã. Fonte: Tesouro Transparente.

O pico veio em 26 de outubro, o primeiro dia útil depois do segundo turno, quando o Prefixado 2032 chegou a 15,78% e o IPCA+ 2032 a 8,10%. A alta reflete a reprecificação do risco fiscal, que fez subir toda a curva de juros, especialmente nos prazos longos.

Em perspectiva histórica, taxas reais acima de 7,5% são raras no Tesouro Direto. Nas máximas anuais do IPCA+ de longo prazo, apareceram, entre outros momentos, em 2005–2007 (perto de 8,9% em 2005–2006), na crise de 2008 (8,57%), em 2015–2016 (7,80%), no fim de 2024 (7,52%), no início de 2025 (7,87%) e em 2026, com máxima de 8,22% no Tesouro IPCA+ 2035, em 30 de julho. Em 2022, mesmo com a Selic a 13,75%, a máxima foi de apenas 6,47%.

O que move as taxas dos títulos longos

As taxas do Tesouro IPCA+ e do prefixado são definidas pelo mercado, todos os dias, e respondem a três grupos de fatores:

  • Expectativa para a Selic. Se o mercado passa a esperar juros mais altos por mais tempo, as taxas dos prefixados sobem. Quando o Copom interrompeu os cortes em 4 de novembro, mantendo a Selic em 13,75%, a decisão já era esperada e estava nos preços: as taxas até recuaram no dia seguinte.
  • Expectativa de inflação. Inflação esperada maior eleva as taxas dos prefixados e reduz a atratividade relativa deles frente ao IPCA+.
  • Prêmio de risco. É a compensação que o investidor exige para emprestar ao governo por muitos anos. Ele sobe quando cresce a desconfiança sobre a sustentabilidade da dívida pública, quando há turbulência externa ou incerteza política. É o fator que mais pesou depois do segundo turno de 2026: nos prefixados, a alta foi maior nos títulos longos que nos curtos; nos IPCA+, a alta da taxa foi parecida em todos os prazos, mas o preço dos títulos longos caiu mais por causa do prazo.

O guia de curva de juros mostra como esses fatores se combinam nos contratos de DI futuro, que servem de referência para os títulos públicos.

O que é travar a taxa

“Travar a taxa” é comprar um título prefixado ou IPCA+ e mantê-lo até o vencimento, garantindo o rendimento contratado. A conta é previsível:

Exemplo com R$ 10 mil Tesouro Prefixado 2032 a 15,34% Tesouro IPCA+ 2035 a IPCA + 7,94%
Prazo até o vencimento cerca de 5,2 anos cerca de 8,5 anos
Valor bruto no vencimento cerca de R$ 20.860 cerca de R$ 27.900, com IPCA hipotético de 4,5% ao ano
Valor líquido de IR (15%) cerca de R$ 19.230 cerca de R$ 25.210
Rendimento líquido equivalente cerca de 13,5% ao ano cerca de IPCA + 6,7% ao ano

Antes da taxa de custódia de 0,20% ao ano. No IPCA+, o valor nominal depende da inflação efetiva; o ganho real é garantido.

Para comparar com o pós-fixado: o Prefixado 2032 só perde para o Tesouro Selic ou para um CDB de 100% do CDI se a Selic média até 2032 ficar acima de cerca de 15,3% ao ano. Em novembro de 2026, o boletim Focus projetava Selic de 12,50% no fim de 2027 e 11% no fim de 2028. Mas projeções erram: travar a taxa é uma aposta de que os juros não vão ficar ainda mais altos por muito tempo.

Marcação a mercado: por que o preço sobe e desce

Os títulos públicos são negociados todos os dias, e o Tesouro recompra os seus títulos diariamente pelo preço de mercado. Esse preço é calculado trazendo o valor futuro a valor presente pela taxa do dia. No prefixado:

$$\text{Preço} = \frac{1.000}{(1 + \text{taxa})^{\,du/252}}$$

em que \(du\) é o número de dias úteis até o vencimento. A fórmula mostra a relação inversa: quando a taxa sobe, o preço cai, e vice-versa. Quanto maior o prazo (o expoente), maior o efeito de uma mesma variação de taxa.

Foi o que aconteceu depois do segundo turno:

Gráfico de barras com a queda do preço de venda dos títulos entre 23 de outubro e 5 de novembro de 2026: IPCA+ 2050 menos 19,6%, Prefixado 2032 menos 10%, IPCA+ 2035 menos 8,6%, IPCA+ 2032 menos 5,7% e Prefixado 2029 menos 3,6%
Em duas semanas, o título mais longo perdeu quase um quinto do valor de venda. Fonte: Tesouro Nacional.

Quem tinha R$ 10.000 no Tesouro IPCA+ 2050 em 23 de outubro via, em 5 de novembro, cerca de R$ 8.040 no extrato. Mas dois pontos são essenciais:

  1. A perda só se realiza na venda. Quem levar o título até 2050 recebe exatamente a taxa contratada na compra, IPCA + 6,48% no exemplo de quem comprou em 23/10.
  2. O movimento funciona nos dois sentidos. Quem comprou antes do primeiro turno, quando as taxas caíram, chegou a ter ganhos expressivos em poucos dias. Logo depois do primeiro turno, em 5 de outubro de 2026, a taxa do IPCA+ 2035 caiu de 7,55% para 6,86% em um único dia e chegou a 6,66% em 9 de outubro, o que valorizou os títulos.

Quanto cada título oscila

Uma regra prática é calcular quanto o preço muda para cada 1 ponto percentual de variação na taxa. Para os títulos sem cupom, com as taxas de 5/11/2026:

Título Prazo aproximado Se a taxa subir 1 p.p. Se a taxa cair 1 p.p.
Tesouro Prefixado 2029 2,2 anos −1,8% +1,9%
Tesouro Prefixado 2032 5,2 anos −4,4% +4,6%
Tesouro IPCA+ 2035 8,5 anos −7,5% +8,2%
Tesouro IPCA+ 2050 23,8 anos −19,8% +24,9%

Cálculo aproximado para títulos sem cupom, com variação instantânea da taxa. Títulos com juros semestrais oscilam um pouco menos.

O Tesouro IPCA+ 2050 se comporta, no curto prazo, quase como um investimento de renda variável. Não é por acaso que ele aparece nos noticiários tanto nas altas quanto nas quedas.

Exemplo: o que acontece se você vender antes

Imagine R$ 10 mil aplicados no Tesouro IPCA+ 2035 a IPCA + 7,94%, com inflação de 4,5% ao ano, e a venda do título dois anos depois. O resultado depende da taxa de mercado no dia da venda:

Taxa real no dia da venda Valor bruto do título Valor líquido de IR (15%) Rendimento bruto ao ano
IPCA + 6,00% (taxas caíram) cerca de R$ 14.320 cerca de R$ 13.670 cerca de 19,7%
IPCA + 7,94% (taxas iguais) cerca de R$ 12.720 cerca de R$ 12.320 cerca de 12,8%
IPCA + 9,00% (taxas subiram) cerca de R$ 11.940 cerca de R$ 11.650 cerca de 9,3%
IPCA + 10,00% (alta forte) cerca de R$ 11.250 cerca de R$ 11.060 cerca de 6,1%

Cálculo simplificado, sem custódia e sem o spread entre taxa de compra e de venda.

Com taxas iguais às da compra, o investidor recebe a taxa contratada. Se as taxas caírem, ele ganha mais e pode antecipar o resultado vendendo. Se subirem, ganha menos, e pode até ter rendimento abaixo da inflação em altas fortes. Em prazos de poucos meses, a mesma alta pode significar prejuízo nominal, como aconteceu com o IPCA+ 2050 em outubro de 2026.

Vale lembrar que, no Tesouro Direto, há uma pequena diferença entre a taxa de compra e a de venda (cerca de 0,12 ponto percentual nos títulos IPCA+ e prefixados em novembro de 2026), o que também reduz o resultado de quem vende antes.

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Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado?

A escolha entre os dois passa pela inflação implícita: a inflação que iguala o rendimento de um prefixado ao de um IPCA+ de mesmo prazo.

$$\text{inflação implícita} = \frac{1 + \text{taxa prefixada}}{1 + \text{taxa real do IPCA+}} - 1$$

Com o Prefixado 2032 a 15,34% e o IPCA+ 2032 a 7,92% (5/11/2026), a inflação implícita é de cerca de 6,9% ao ano. Se a inflação média até 2032 ficar abaixo disso, o prefixado rende mais; se ficar acima, o IPCA+ vence. O boletim Focus projetava IPCA de 4,76% para 2027 e perto de 4% para os anos seguintes, mas a inflação implícita embute também um prêmio de risco: o investidor cobra mais para aceitar o risco de inflação alta num título prefixado.

Outros critérios:

  • Proteção. O IPCA+ protege contra surpresas de inflação, o que importa para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria. O prefixado é mais útil para objetivos com valor nominal definido, como uma dívida ou uma compra com preço fixo.
  • Prazo. Prefixados costumam ter prazos mais curtos (até 2032 sem cupom); os IPCA+ vão até 2050 ou mais.
  • Diversificação. Muitos investidores dividem a parcela de longo prazo entre os dois, e entre prazos diferentes.

O guia de juro real aprofunda a inflação implícita e o que ela diz sobre as expectativas do mercado.

Como decidir se é hora de travar a taxa

Ninguém sabe se as taxas de novembro de 2026 serão as mais altas do ciclo. Em julho de 2026, o IPCA+ 2035 chegou a 8,22% e, em outubro, caiu para 6,66% antes de voltar a quase 8%. Em vez de tentar acertar o pico, use critérios que dependem de você:

  1. O dinheiro pode ficar até o vencimento? Se a resposta for sim, a marcação a mercado é só um número no extrato. Se você pode precisar do dinheiro antes, prefira prazos mais curtos ou o Tesouro Selic.
  2. Qual é o seu objetivo? Aposentadoria, educação dos filhos ou outro objetivo distante combinam com IPCA+ de prazo parecido. Para objetivos de dois ou três anos, prefixados curtos ou pós-fixados.
  3. Quanto da carteira já está em longo prazo? Concentrar tudo num único título longo amplia a oscilação. Uma estratégia comum é escalonar: comprar em partes, ao longo de semanas ou meses, e em vencimentos diferentes.
  4. Você aguenta ver o saldo cair 10% ou 20%? Se a resposta for não, o risco de vender no pior momento é real. Títulos mais curtos oscilam menos.
  5. A reserva de emergência está pronta? Títulos longos nunca devem substituir a reserva.

Para objetivos específicos de aposentadoria e educação, o Tesouro também oferece o Renda+ e o Educa+, que pagam renda mensal corrigida pela inflação. Veja o guia do Tesouro Renda+ e Educa+.

IPCA+ com juros semestrais: quando faz sentido

O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais paga cupons a cada seis meses, de cerca de 6% ao ano sobre o valor atualizado do título, e devolve o principal no vencimento. Em 5/11/2026, a versão 2035 pagava IPCA + 7,91%, quase o mesmo que a versão sem cupom.

Ele faz sentido para quem quer renda periódica, como aposentados que usam os cupons para complementar o orçamento. Para quem está acumulando patrimônio, tem duas desvantagens: o imposto de renda é cobrado a cada cupom, o que reduz o efeito dos juros compostos, e o dinheiro dos cupons precisa ser reinvestido, talvez a taxas menores. Em compensação, como parte do valor volta antes, ele oscila um pouco menos que o título sem cupom de mesmo vencimento.

Como comprar, passo a passo

  1. Abra conta numa corretora ou banco habilitado no Tesouro Direto. A maioria não cobra taxa para o programa.
  2. Escolha o título pelo prazo do objetivo: o vencimento deve coincidir, ou ficar um pouco antes, da data em que você vai precisar do dinheiro.
  3. Confira a taxa e o preço na hora da compra. As taxas mudam ao longo do dia, e a compra é feita pelo preço do momento.
  4. Compre em partes, se quiser escalonar. Não há valor mínimo relevante: o investimento mínimo é uma fração do título, a partir de valores baixos.
  5. Acompanhe sem ansiedade. O extrato mostra o valor de mercado, não o valor que você receberá no vencimento.

Na venda antecipada, o Tesouro recompra os títulos diariamente em dias úteis; ordens feitas fora do horário de negociação são agendadas para o dia útil seguinte.

Custos e impostos

  • Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada na venda, no vencimento ou no pagamento de cupons. O Tesouro Selic é isento até R$ 10 mil por CPF.
  • Imposto de renda regressivo sobre o rendimento: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. No IPCA+, o imposto incide sobre todo o rendimento, inclusive a parte que só repõe a inflação.
  • IOF: apenas em resgates nos primeiros 30 dias.
  • Corretora: a maioria não cobra taxa para o Tesouro Direto, mas confira.

Os títulos públicos não têm cobertura do FGC porque são garantidos pelo próprio Tesouro Nacional, o emissor considerado de menor risco de crédito do país.

Tesouro Direto, CDB, LCI e debêntures de prazo longo

Os títulos públicos não são a única forma de travar taxa. Bancos emitem CDBs prefixados e atrelados ao IPCA, e empresas emitem debêntures, muitas delas incentivadas e isentas de imposto de renda para pessoas físicas. A comparação envolve:

  • Risco de crédito. O Tesouro é o emissor de menor risco do país; CDBs têm a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição; debêntures não têm garantia do FGC.
  • Liquidez. O Tesouro recompra os títulos diariamente; CDBs de prazo longo muitas vezes não têm liquidez antes do vencimento; debêntures dependem do mercado secundário.
  • Imposto. LCIs, LCAs e debêntures incentivadas são isentas para pessoas físicas, o que exige comparar a taxa líquida.

Os guias de LCI e LCA e de debêntures, CRI e CRA explicam essas alternativas.

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Quem está comprando

O Tesouro Direto vive um momento de expansão. Segundo o balanço do Tesouro Nacional, em setembro de 2026 o programa tinha 3,9 milhões de investidores ativos, 22,3% mais que um ano antes, e estoque de R$ 279,3 bilhões, alta de 43% em 12 meses. Os títulos atrelados à inflação respondiam por 46,7% do estoque, a maior fatia, e por 24,9% das vendas do mês; os prefixados, por 13,8% do estoque e 17,7% das vendas. O balanço de outubro, que captará o efeito das eleições sobre a procura, ainda não havia sido divulgado.

Checklist antes de comprar

  • O vencimento do título combina com a data do seu objetivo?
  • A reserva de emergência está aplicada em algo com liquidez diária, como o Tesouro Selic?
  • Você sabe quanto o título pode oscilar se a taxa subir mais 1 ou 2 pontos?
  • Vai comprar tudo de uma vez ou em partes, em datas e vencimentos diferentes?
  • Comparou a taxa líquida com alternativas como CDBs prefixados, LCIs e debêntures?
  • Está confortável em ver o saldo cair no extrato sem vender?

Erros comuns

  • Vender no pânico. Quem vende depois de uma alta forte de taxa transforma uma perda temporária em definitiva.
  • Usar título longo como reserva de emergência. Uma emergência pode coincidir com um momento de taxas altas e preço baixo.
  • Comparar só a taxa nominal. Um prefixado de 15% e um IPCA+ de 8% não são comparáveis sem olhar a inflação implícita.
  • Esquecer o imposto e a custódia. O rendimento líquido é menor que a taxa anunciada.
  • Concentrar tudo num único vencimento e num único dia de compra.

Conclusão

Travar a taxa no Tesouro IPCA+ ou no prefixado significa garantir hoje um rendimento até o vencimento, e as taxas de novembro de 2026, perto de IPCA + 8% e de 15% no prefixado, estão entre as maiores da história do programa. Mas o preço dessa garantia é a marcação a mercado: no meio do caminho, os títulos longos oscilam muito, e quem vende antes pode perder.

A decisão não depende de acertar o pico dos juros, e sim de casar o prazo do título com o prazo do seu objetivo, escalonar compras e aceitar a volatilidade de quem investe no longo prazo. Para entender o que move essas taxas, veja os guias de curva de juros e do boletim Focus.


Nota de atualização: taxas e preços do Tesouro Direto de 23/10/2026 a 05/11/2026 (Tesouro Transparente); balanço do Tesouro Direto de setembro de 2026; boletim Focus de 30/10/2026. Os exemplos não incluem a taxa de custódia e usam inflação hipotética de 4,5% ao ano.

Este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de compra ou venda de títulos. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.